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Novos hábitos

Nas últimas décadas, especialmente em grandes cidades como São Paulo, a organização familiar mudou, a mulher ampliou sua participação no mercado de trabalho e a violência urbana cresceu, sem falar no grau de exigência do consumidor, cada vez maior em relação à aquisição de bens. Esses são apenas alguns fatores, que, combinados a outros, foram alterando o comportamento das pessoas ao longo dos anos. Mas, afinal, como as mudanças sociais se refletiram nos projetos das novas casas e apartamentos? Pode-se dizer que de várias maneiras, desde a forma de distribuição dos cômodos dentro do imóvel, do número de banheiros, do tamanho da cozinha e dependência de serviços até o crescimento e a sofisticação das áreas destinadas a lazer, a prática de esportes e a convivência social.

Algumas novidades, também, foram incorporadas à infra-estrutura e à parte técnica das edificações, como nas instalações de elétrica e hidráulica, hoje com mais recursos e novos materiais. O expressivo avanço da indústria de eletro-eletrônicos exigiu instalações apropriadas, para um crescente número de equipamentos domésticos, como freezer, forno de microondas, computador, aparelhos de som, TV e DVD, máquinas de lavar e secar roupa, de lavar louça, entre outros.

Há 30 anos, o comum era apenas uma tomada em cada cômodo. Hoje essa situação é impensável. Outros exemplos ilustram as novas maneiras de as pessoas se comportarem. Um deles é o aumento de vagas de garagem. Há 20 anos, a maior parte das famílias possuía apenas um automóvel, motivo pelo qual a média era de uma vaga por apartamento. Atualmente, entretanto, é comum a mulher e o marido terem cada um o seu carro, isso quando não há outros veículos que pertencem aos filhos. Isso explica a necessidade de aumento do número de vagas de garagem. Mais um exemplo é o “sumiço” do quarto de empregada em muitos projetos.

 Há alguns anos, a maior parte das famílias possuía empregada doméstica contratada para dormir no emprego. Hoje é cada vez mais comum a utilização de diaristas, geralmente uma ou duas vezes por semana. Como consequência, em alguns casos, as dependências para empregada “migraram” dos apartamentos para as áreas comuns dos condomínios – onde pode haver vestiário e banheiro para atender essas profissionais. Mesmo nas plantas de unidades em que o quarto de empregada não foi abolido, os compradores têm a opção de facilmente reverter o cômodo para uso como sala íntima ou escritório, por exemplo. Se por um lado os quartos de empregada perderam espaço nos apartamentos, de outro, as varandas estão cada vez maiores – e mais cobiçadas. Antes, o mais comum eram os pequenos terraços ou sacadas. Hoje as varandas estão mais amplas, podem ter inclusive churrasqueira, e geralmente se integram aos ambientes de estar – o que amplia a área social dos imóveis.